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Feminismo Negro na América Latina: resistência, protagonismo e transformação social 

Laryssa Leitte e Hannah Dias, 24 de julho de 2025 (atualizado 24/07/2025 às 8h)

O feminismo negro na América Latina tem se consolidado como uma das forças mais potentes na luta por justiça social, equidade de gênero e combate ao racismo estrutural. Mais do que uma vertente teórica, esse movimento nasce da vivência concreta de mulheres negras que, historicamente, enfrentam múltiplas formas de opressão.
 
Neste artigo, você vai entender como essa luta se estrutura a partir da intersecção entre raça, gênero e classe, e como ela se traduz em ações políticas, mobilizações coletivas e transformação social.   

Conheça as raízes, os marcos históricos e os impactos atuais do feminismo negro em países latino-americanos — especialmente no Brasil — e veja por que essa perspectiva é fundamental para construir uma sociedade mais justa, plural e antirracista.

Continue lendo! 

Feminismo negro na América Latina: um movimento nascido da vivência e da resistência   

O feminismo negro na América Latina surge da urgência de enfrentar múltiplas formas de opressão que atravessam o cotidiano das mulheres negras. Essa luta não é apenas uma questão de gênero ou raça isoladas, mas a união desses e outros elementos que se cruzam em experiências concretas de vida.  
 
O movimento não nasceu em bibliotecas ou salas acadêmicas, mas nas ruas, nas comunidades e nos espaços onde mulheres negras se reconhecem, compartilham suas histórias e constroem estratégias coletivas de resistência. E é essa construção coletiva que é fortalecida em suas raízes históricas, remetendo à figuras como Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que liderou um dos maiores quilombos da história brasileira na região do atual Mato Grosso, mostrando que a luta contra a escravidão e a opressão racial é também uma luta de mulheres que resistiram com coragem e inteligência em tempos muito difíceis.

O Encontro de Santo Domingo em 1992 e a força da mulher negra caribenha  
 
Um momento de destaque para a consolidação dessa articulação transnacional foi o Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em 1992 em Santo Domingo, na República Dominicana.  

Nesse encontro, mulheres de diferentes países se reuniram para compartilhar vivências marcadas por desafios comuns, consolidando a compreensão de que as opressões que enfrentam não podem ser dissociadas. Então, a intersecção entre gênero, raça e classe foi entendida como chave para pensar novas formas de luta e organização política.   

Esse evento não só fortaleceu redes de solidariedade e cooperação entre ativistas e lideranças, mas também reafirmou a potência do feminismo negro enquanto movimento coletivo, que atua tanto localmente quanto de forma global para transformar realidades.  

A partir dessas articulações, o feminismo negro ganhou força, não como um discurso abstrato, mas como uma prática política cotidiana, feita de cuidado, luta e reinvenção. 

A organização política da mulher negra no Brasil e a criação de redes nacionais  
 
No Brasil, esse processo de organização ganhou um contorno mais estruturado com a criação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras, rede imprescindível para dar voz às pautas específicas das mulheres negras, que por muito tempo foram invisibilizadas ou relegadas a segundo plano dentro de debates mais amplos sobre gênero ou raça.
  
A partir dessa união, o movimento conseguiu ampliar sua capacidade de influência política, conquistando espaço para a discussão de políticas públicas que considerem as múltiplas dimensões da opressão. Essa articulação ampliou o debate social, mostrando que não é possível pensar igualdade sem reconhecer as diferenças e especificidades das experiências das mulheres negras, que enfrentam discriminações simultâneas que afetam sua vida cotidiana de forma direta e profunda. 

25 de julho: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha 

A importância do feminismo negro também é celebrada todos os anos em 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data que sintetiza essa longa trajetória de resistência, luta e conquistas.
 
25 de julho simboliza a memória de todas as mulheres negras que enfrentaram e enfrentam o racismo e o machismo, mas também celebra a força e a criatividade desses sujeitos históricos, que não apenas resistem, mas transformam as condições em que vivem.  

A data é um chamado à visibilidade e ao reconhecimento, um momento para reafirmar o protagonismo das mulheres negras nas transformações sociais e culturais em toda a América Latina, refletindo o compromisso coletivo de seguir avançando, mesmo diante das dificuldades estruturais que persistem. É, também, um lembrete da urgência de fortalecer as políticas de igualdade racial e de gênero.
 
Essa ideia de interseccionalidade, que ajuda a explicar como diferentes formas de opressão se combinam na vida das mulheres negras, ganhou força a partir das próprias experiências dessas mulheres nas suas lutas diárias. Com o tempo, ela passou a ser reconhecida como uma ferramenta importante para pensar políticas públicas e ações que realmente atendam às necessidades reais, levando em conta toda a complexidade dessas vivências. 

Nos últimos anos, o sistema de justiça tem procurado, mesmo que de forma ainda tímida e gradual, reconhecer as especificidades da violência contra mulheres negras e oferecer respostas mais adequadas a essa realidade.  
Toda essa força coletiva se manifesta também em grandes mobilizações nas ruas, como a histórica marcha das mulheres negras em Brasília, onde milhares de mulheres ocuparam o espaço público para exigir respeito, direitos e justiça social. Essa mobilização foi muito mais que um ato político; foi uma celebração da existência, da potência e do protagonismo das mulheres negras, que resistem e reinventam o Brasil a partir de suas vozes, corpos e experiências.  

Essas histórias, esses encontros e essas lutas formam uma trama que não apenas explica o presente, mas aponta para o futuro que está em construção. O Instituto GUETTO caminha junto dessa história, comprometido com a valorização e a divulgação dessas vozes essenciais para a construção de uma sociedade mais justa, plural e antirracista. 

Conhecimento é poder! Descubra como o Instituto GUETTO atua para fortalecer as vozes negras e transformar o presente clicando em soluções ou programas e projetos. Conheça mais da nossa atuação aqui! 

 

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