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No Novembro GUETTO a nossa comunidade se reconhece,se abraça, se escuta - EDITORIAL

  • Vítor Del Rey
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Desde que começou o mês, eu participei de muitos eventos, mas sem

dúvida, o lançamento do Projeto Axé me emocionou de um jeito que eu ainda estou processando. Quando vi aqueles meninos e meninas entrando no nossopré-vestibular, foi como revisitar o jovem que fui na EDUCAFRO, me tornandoum aluno negro e estudando com uma vontade quase que desesperada demudar de vida.


Lembrei do dia em que consegui a bolsa integral na FGV- Fundação Getúlio Vargas. Lembrei do peso dessa conquista, da alegria e da sensação de que o mundo era bem maior do que o bairro onde eu cresci. Trago ainda na memória o momento de ver o resultado do vestibular em uma lan house, com apenas um real no bolso e milhões de sonhos na cabeça. E o mais gratificante agora é constatar que estamos realizando todos eles. 


O Axé me marcou porque eu me vi nestes jovens. Vi a mesma fome de futuro, a mesma coragem silenciosa, de quem sabe que está correndo contra o relógio da desigualdade, mas que não perde a fé e insiste mesmo assim. Foi como se a minha história tivesse dado a volta inteira e retornado ao ponto de origem, porém, dessa vez, com mais gente preta segurando o leme junto comigo.


Ser protagonista desse momento foi uma mistura de orgulho, emoção e humildade. Eu olhava para tantas pessoas pretas reunidas e pensava: É por isso que eu comecei, é por isso que eu continuo. Ao mesmo tempo, não me senti sozinho. Sabia que havia uma ancestralidade inteira caminhando comigo, diversas mãos que me ergueram lá atrás para que, hoje, eu pudesse erguer outras.


Novembro é o mês em que a gente respira fundo. É quando a nossa

comunidade se reconhece, se abraça, se escuta. Para o Instituto, é como se todas as nossas ações, grandes ou pequenas, ganhassem mais cor, mais corpo, mais propósito. A gente sente que está fazendo parte de um mundo maior do que nós mesmos.


Para quem nos acompanha, eu sinto que o Novembro GUETTO funciona como um reencontro. Um lembrete de que mobilidade não é luxo, é direito. De que nossos sonhos são legítimos e de que existe uma instituição inteira apostando nos jovens que estão começando, trabalhando com seriedade, respeito e afeto.


Fortalecer a memória e a identidade da nossa comunidade me deu uma sensação bonita de continuidade. Como se eu estivesse devolvendo ao mundo um pouco do que recebi. Como se aquilo que eu vivi, cada alegria, cada dor, cada conquista, tivesse virado ferramenta para abrir caminhos para outras

vidas.


O movimento reafirma o futuro que estamos construindo, porque mostra, na prática, que emancipar jovens negros não é discurso, é realidade, é concreto. A gente faz isso com trabalho e entrega, com cuidado, com responsabilidade e criando oportunidades.


Quando vejo o Novembro GUETTO acontecer, sinto que o futuro que

sonhamos não é distante. Ele já começou. E nós estamos abrindo portas para quem vem depois.

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