Como acompanhar a velocidade das transformações na era da Inteligência Artificial?
- Equipe Instituto GUETTO

- há 24 horas
- 4 min de leitura
Durante meet up promovido pelo Instituto GUETTO no Web Summit Rio 2026, Thais Viana explicou por que estar preparado antes das oportunidades surgirem é um dos maiores diferenciais para construir uma carreira em tecnologia.

Entre os dias 8 e 11 de junho, o Instituto GUETTO marcou presença no Web Summit Rio 2026, a edição latino-americana de uma das maiores conferências de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo.
O evento reuniu milhares de participantes, startups, investidores, lideranças globais e empresas que estão discutindo os rumos da inteligência artificial, da transformação digital e das tecnologias que irão impactar o futuro.
Em um cenário em que a inteligência artificial, a inovação e a transformação digital moldam o futuro do mercado de trabalho no ritmo acelerado, acompanhar essas transformações deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para quem deseja construir uma carreira no mercado de tecnologia.
Foi essa reflexão que conduziu a participação de Thais Viana no meet up promovido pelo Instituto GUETTO durante o Web Summit Rio 2026. Atualmente, Thais é Group Product Manager no iFood, onde lidera a Plataforma de IA Agents, responsável por pensar estratégias e desenvolver produtos baseados em Inteligência Artificial. Doutoranda em IA pela UFRJ, ex-desenvolvedora backend, professora e integrante da comunidade PyLadies há mais de dez anos, ela construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a democratização do conhecimento em tecnologia e pela criação de produtos capazes de transformar problemas complexos em soluções escaláveis.
Mas sua trajetória começou longe dos grandes polos tecnológicos. Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Thais enfrentou as barreiras geográficas que ainda limitam o acesso de milhares de jovens às oportunidades de formação, networking e desenvolvimento profissional.
Como as barreiras geográficas ainda limitam carreiras na tecnologia
Embora a tecnologia tenha reduzido distâncias e conectado pessoas em diferentes partes do mundo, o acesso às oportunidades ainda não acontece de forma igual. No Brasil, os principais polos de inovação, universidades, empresas e eventos de tecnologia permanecem concentrados em grandes centros urbanos, criando barreiras para quem cresce em territórios periféricos ou afastados desses espaços de circulação de conhecimento.
Essas desigualdades também têm um recorte racial. Segundo o Relatório Agenda Transversal Igualdade Racial 2026, elaborado pelo Governo Federal com base em dados do IBGE e do IPEA, apenas 20,6% dos jovens pretos e pardos entre 18 e 24 anos frequentavam o ensino superior em 2024, enquanto entre jovens brancos esse percentual chegava a 37,4%. O relatório também aponta que pessoas pretas e pardas possuem, em média, menos anos de estudo, cenário que ajuda a explicar as desigualdades observadas no mercado de trabalho e nos setores de inovação.
Foi essa realidade que também marcou a trajetória de Thais Viana. Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela precisou construir caminhos em um setor que, por muito tempo, esteve distante do seu território. Hoje, liderando a Plataforma de IA Agents do iFood, sua história demonstra que talento pode surgir em qualquer lugar, mas reforça uma mensagem importante compartilhada durante o meet up:
as oportunidades nem sempre aparecem quando esperamos. Por isso, é fundamental estar preparado para reconhecê-las e aproveitá-las quando elas chegarem. - Thais Viana
👉🏿 Assista a fala da Thais Viana no Web Summit Rio 2026
Como acompanhar a velocidade das transformações em um mercado impulsionado pela Inteligência Artificial?
Se há poucos anos a Inteligência Artificial era um tema restrito a laboratórios de pesquisa e profissionais altamente especializados, hoje ela faz parte da rotina de milhões de pessoas. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, códigos e análises em segundos transformaram a forma como estudamos, trabalhamos e tomamos decisões, reduzindo barreiras técnicas que antes exigiam anos de experiência.
Durante o meet up, Thais Viana chamou atenção justamente para essa velocidade. Segundo ela, a evolução acontece em um ritmo tão acelerado que soluções consideradas inovadoras há pouco tempo rapidamente dão lugar a novas possibilidades.
O exemplo mais conhecido é o próprio ChatGPT. Antes da popularização dos modelos generativos, interagir com sistemas de Inteligência Artificial exigia conhecimentos avançados de programação, modelagem de dados e desenvolvimento de algoritmos. Hoje, uma conversa em linguagem natural permite que qualquer pessoa produza textos, automatize tarefas, desenvolva códigos ou analise informações em poucos segundos. Essa mudança não apenas democratizou o acesso à IA, como também redefiniu as habilidades mais valorizadas pelo mercado.
O Relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 86% dos empregadores acreditam que a Inteligência Artificial e as tecnologias de processamento de informação serão os principais motores de transformação dos negócios até 2030.
O estudo também projeta uma reconfiguração significativa do mercado de trabalho, com 170 milhões de novas ocupações surgindo e 92 milhões sendo substituídas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos — mas exigindo novas competências profissionais. Além disso, cerca de 40% das habilidades atualmente demandadas deverão mudar até o fim da década, reforçando que aprender continuamente será uma das competências mais importantes para os profissionais do futuro.
Para Thais, esse cenário exige uma mudança de mentalidade. O diferencial já não está apenas em dominar uma ferramenta específica, mas em desenvolver a capacidade de aprender, desaprender e reaprender constantemente. Em um mercado impulsionado pela Inteligência Artificial, acompanhar tendências, compreender as transformações tecnológicas e manter-se em formação contínua passa a ser tão importante quanto o conhecimento técnico.
Thais Viana - Group Product Manager do iFood

Como a educação pode preparar o futuro das próximas gerações?
Para o Instituto GUETTO, essa pergunta reforça a importância de ampliar o acesso de jovens negros e indígenas não apenas à formação técnica, mas também aos espaços onde o futuro da tecnologia está sendo debatido e construído.
As reflexões apresentadas durante o Web Summit Rio 2026 dialogam diretamente com a atuação do Instituto GUETTO, que trabalha para democratizar o acesso à educação, inovação e às oportunidades profissionais.
Aproveite para conhecer mais sobre os projetos, cursos e iniciativas desenvolvidas pelo Instituto GUETTO e acompanhe outras pautas ligadas à educação, direitos humanos, trabalho e juventude no nosso GIRO DE NOTÍCIAS


Comentários