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O "código invisível" da tecnologia: as regras não escritas que desafiam a permanência de profissionais negros e indígenas

Durante meet up promovido pelo Instituto GUETTO no Web Summit Rio 2026, Georgia Bento reflete como barreiras invisíveis podem aumentar os desafios e as oportunidades para construir um mercado de tecnologia mais diverso



Quatro pessoas negras sorridentes posam no Web Summit diante de painel colorido com ícones e crachás.
Da esquerda pra direita: Leo Oliveira, Thais Viana, Georgia Bento e Vitor Del Rey no Meet Up "Diversidade e juventude na tecnologia com o Instituto GUETTO" no Web Summit Rio 2026.

Entre os dias 8 e 11 de junho, o Instituto GUETTO marcou presença no Web Summit Rio 2026, a edição latino-americana de uma das maiores conferências de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo.


O evento reuniu milhares de participantes, startups, investidores, lideranças globais e empresas que estão discutindo os rumos da inteligência artificial, da transformação digital e das tecnologias que irão impactar o futuro.


Em um cenário em que a inteligência artificial, a inovação e a transformação digital moldam o futuro do mercado de trabalho, ampliar a diversidade na tecnologia deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ser uma estratégia para construir soluções mais inovadoras. Foi essa reflexão que conduziu a participação de Geórgia Bento durante o meet up promovido pelo Instituto GUETTO no Web Summit Rio 2026.


Fundadora da Obará Edutech, Georgia participou do maior evento de tecnologia da América Latina como convidada do programa Women in Tech, do BNDES. Reconhecida internacionalmente como Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial, compartilhou experiências sobre negócios de impacto, tendências e os desafios enfrentados por profissionais negros e indígenas para acessar e permanecer em um setor que ainda apresenta profundas desigualdades de representatividade.



O "código invisível" da tecnologia: as barreiras que ninguém te conta


Embora o mercado de tecnologia seja frequentemente apresentado como um ambiente baseado exclusivamente em competências técnicas, Georgia Bento chamou atenção para um conjunto de regras que raramente são ensinadas em cursos ou processos de formação.


Descreve esse cenário como um "código invisível": um conjunto de comportamentos, redes de relacionamento, referências e formas de como se portar no ambiente corporativo que acabam não sendo ensinados por quem já ocupa esses espaços.

"O peso da inaquedação pra [pessoas negras e indígenas] não terem sucesso, é ninguém ensinar o 'dress code' pra se portar nesses ambientes." - Georgia Bento

Segundo Georgia, ampliar o acesso de pessoas negras e indígenas ao setor, por si só, não garante inclusão. A permanência continua sendo um desafio diante das barreiras invisíveis que dificultam o desenvolvimento e o crescimento profissional.


👉🏿 Assista a fala da Georgia Bento no Web Summit Rio 2026


Como transformar conhecimento em oportunidade


Para Georgia Bento, compreender tecnologia hoje vai muito além de aprender uma linguagem de programação ou dominar ferramentas de inteligência artificial. Também exige entender para onde o mercado está caminhando.


Uma das recomendações apresentadas durante o encontro foi incorporar a leitura de relatórios de tendências, como os do Observatório Firjan, sendo parte da formação profissional. Esses materiais ajudam a antecipar mudanças, identificar setores em crescimento e reconhecer oportunidades antes da maioria do mercado.


Outro conceito abordado foi a diferença entre Mar Vermelho e Mar Azul, estratégia amplamente utilizada na inovação e nos negócios.


Enquanto o Mar Vermelho representa mercados altamente disputados, onde empresas competem pelas mesmas oportunidades, o Mar Azul propõe identificar espaços ainda pouco explorados, criando novas soluções, públicos e modelos de atuação.


Essa lógica também se aplica às trajetórias profissionais. Em vez de disputar apenas caminhos tradicionais, compreender tendências pode ajudar jovens a construir carreiras em áreas emergentes da tecnologia e da economia digital.


Georgia também destacou o papel dos negócios de impacto, empreendimentos que conciliam sustentabilidade financeira com a solução de desafios sociais e ambientais. Para ela, inovação e impacto caminham juntos quando tecnologia é utilizada para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e transformar realidades.



Mulher negra de óculos e camisa amarela, sentada à mesa com as mãos unidas, em ambiente neutro e expressão calma.

















Diversidade também se constrói ampliando acessos


As reflexões apresentadas durante o Web Summit Rio 2026 dialogam diretamente com a atuação do Instituto GUETTO, que trabalha para ampliar o acesso de pessoas negras e indígenas à educação, à inovação, ao empreendedorismo e às oportunidades profissionais.


Aproveite para conhecer mais sobre os projetos, cursos e iniciativas desenvolvidas pelo Instituto GUETTO e acompanhe outras pautas ligadas à educação, direitos humanos, trabalho e juventude no nosso GIRO DE NOTÍCIAS


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