Organizações Negras criam PNE Antirracista com propostas ao novo Plano Nacional de Educação
- Equipe Instituto GUETTO

- há 24 horas
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Documento apresenta evidências e recomendações para enfrentar desigualdades que marcam a trajetória de estudantes negros
Um coletivo formado por organizações históricas do movimento negro e da sociedade civil — como CEDENPA, CEERT, CONAQ, Geledés, Observatório da Branquitude, Athena, Odara, Peregum, Instituto GUETTO, UNEafro e Instituto DACOR - se reuniram para levar o PNE Antirracista ao Senado Federal, em março de 2026, um conjunto de propostas para fortalecer a equidade étnico-racial no novo Plano Nacional de Educação (PNE), que vai orientar as políticas educacionais da próxima década.
Construído de forma coletiva, o documento chamado de PNE Antirracista, reúne evidências, análises e recomendações que partem da experiência acumulada dessas organizações na atuação em educação, justiça racial, dados, territórios e políticas públicas. Contribuição concreta para transformar o PNE em um instrumento real de enfrentamento das desigualdades raciais no Brasil.
Leia o material completo e entenda como a proposta busca garantir uma educação mais justa e inclusiva.
O que propõe o documento do PNE antirracista
O documento apresenta contribuições para o aprimoramento do texto do PNE em tramitação no Senado, com foco na incorporação da equidade étnico-racial como princípio estruturante de todo o plano. A proposta parte do entendimento de que não basta mencionar a equidade de forma genérica — é necessário traduzi-la em diretrizes concretas que orientem a formulação, implementação e monitoramento das políticas educacionais ao longo dos próximos dez anos.
Nesse sentido, o material organiza recomendações que atravessam diferentes dimensões do plano, propondo ajustes que vão desde a definição de metas até os mecanismos de avaliação. A centralidade está em garantir que raça/cor e nível socioeconômico sejam considerados de forma explícita e sistemática no planejamento educacional brasileiro.
Acesse e leia o PNE Antirracista completo:
Por que a equidade racial precisa estar no centro da educação
O ponto de partida do documento é um diagnóstico claro sobre as desigualdades educacionais no Brasil não serem neutras, mas profundamente marcadas pelo racismo estrutural e pelas disparidades socioeconômicas.
Essas desigualdades se manifestam ao longo de toda a trajetória escolar de estudantes negros, impactando o acesso, a permanência e os resultados de aprendizagem. O cenário é ainda mais crítico em territórios historicamente vulnerabilizados, onde as condições de oferta educacional e de acesso a direitos são mais limitadas.
Diante disso, o coletivo defende que o novo PNE precisa assumir um compromisso explícito com a equidade, incorporando parâmetros que permitam identificar quem são os grupos mais afetados e acompanhar, de forma contínua, a evolução dessas desigualdades.
Quais são as principais recomendações ao Senado
Entre as principais propostas apresentadas está a inclusão explícita do recorte raça/cor e do nível socioeconômico como dimensões estruturantes do ciclo das políticas educacionais — desde o planejamento até a avaliação.
O documento também destaca a necessidade de orientar o financiamento educacional para a redução das desigualdades raciais, garantindo que a alocação de recursos considere as diferenças históricas e territoriais que impactam estudantes negros.
Outro ponto central é o fortalecimento da educação para as relações étnico-raciais (ERER), com ênfase na formação inicial e continuada de professores, reconhecendo seu papel fundamental na construção de práticas pedagógicas mais inclusivas.
Além disso, o coletivo propõe o aprimoramento da produção e do monitoramento de dados educacionais com recorte de raça/cor, bem como a criação de mecanismos de governança que assegurem participação representativa no acompanhamento do plano.
Acesse e leia o PNE Antirracista completo:










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