Formatura celebra o fortalecimento de organizações afro-brasileiras e afro-indígenas no Rio
- Equipe Instituto GUETTO

- há 1 dia
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Uma noite para celebrar conquistas, fortalecer sonhos e reconhecer a ancestralidade de organizações culturais que transformam seus territórios

No dia 14 de agosto, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no Rio de Janeiro, foi palco da formatura do Projeto Sementes, iniciativa do Instituto GUETTO voltada ao fortalecimento institucional de organizações culturais do Rio de Janeiro.
A celebração reuniu participantes, convidados e parceiros para marcar o encerramento da formação, com entrega de certificados, musica, ancestralidade e apresentações culturais de três organizações, que compartilharam as transformações vividas ao longo do projeto.
O projeto mostrou o que acontece quando conhecimento, acesso a recursos e fortalecimento organizacional chegam às mãos de organizações culturais que já transformam seus territórios.
Formatura do Projeto Sementes, no MUHCAB, Rio de Janeiro. Foto: Taynara Roberto
O que é o Projeto Sementes?
Com apoio do Ministério da Cultura, o projeto nasceu com o propósito de fortalecer organizações culturais, ampliando seus conhecimentos, ferramentas e possibilidades para desenvolver projetos e estruturar suas atuações. Ao longo da formação, participantes tiveram contato com conteúdos e experiências voltados à saúde organizacional, elaboração de projetos, captação de recursos e sustentabilidade das iniciativas sociais. O Sementes foi uma formação e fomento cultural dedicada a 20 organizações culturais afro-brasileiras e afro-indígenas da cidade do Rio de Janeiro.
Para conhecer a trajetória do projeto, seus objetivos e os caminhos construídos durante a formação, Leia mais informações sobre o Sementes e acesse a página oficial do projeto.
Como explica Tiago Alves, responsável pela criaçao do cronograma formativo e coordenação do projeto:
“Quando pessoas negras assumem o controle de tecnologias sociais e passam acessar recursos, possibilidades e construções de sonhos, a regra do jogo muda. E muda constantemente porque entendemos que informação é poder, e esse poder é quem estabelece quem permanece ou não no jogo. Pensar o cronograma formativo deste projeto, foi pensar uma estrutura mínima para que pequenas organizações do terceiro setor pudessem se dedicar e aprender caminhos para a saúde organizacional e o desenvolvimento de seus projetos.”
A formatura é também o reconhecimento de que fortalecer quem já produz transformação nos territórios é uma estratégia para ampliar o impacto social e cultural dessas organizações.
Uma formatura marcada por cultura, memória e transformação
A celebração deu inicio ainda na entrada do MUHCAB. Para receber participantes e convidados, as crianças do Macacos Vive fizeram uma apresentação musical com instrumentos de bateria de escola de samba, trazendo para a abertura da noite a potência da nossa ancestralidade.
Uma das atividades da iniciativa é desenvolver e preparar essas crianças para que, no futuro, possam integrar a bateria Swingueira de Noel, da Escola de Samba Vila Isabel, utilizando a música e a cultura como ferramentas de desenvolvimento e como parte de uma estratégia para afastá-las de situações de vulnerabilidade.
Apresentação Macacos Vive na Formatura do Projeto Sementes, no MUHCAB. Foto: Taynara Roberto
Assista o depoimento completo do Macacos Vive e saiba mais sobre o trabalho desenvolvido pela organização [Em breve]
Em seguida, participantes e convidados foram conduzidos ao palco, onde o presidente do Instituto GUETTO, Vitor Del Rey, falou sobre a importância do Projeto Sementes e agradeceu às pessoas e organizações que contribuíram para que a iniciativa acontecesse:
Ministério da Cultura (MinC), Nave do Conhecimento Engenhão e Madureira, AR Buffet, além da equipe de coordenação e formação composta por Tiago Alves, Aline Clemente, Vitória Moura, Aimê Araujo e os professores Carolina Duarte, Emanuele Sanuto, Karolyne Utomi, Vinicius Guedes, Tiago Alves, Vinicius Martins e Leandro Serra.
Para Vitória Moura, acompanhar o desenvolvimento das organizações participantes também foi uma experiência de aprendizado:
“O Projeto Sementes tem sido um aprendizado profundo em todas as etapas, desde o processo de seleção até a concretização das ações. A experiência tem demonstrado, na prática, que a junção entre uma equipe comprometida e participantes engajados potencializa resultados e fortalece o impacto coletivo. Além disso, é extremamente simbólico e significativo estar vinculada à formação de organizações do terceiro setor que atuam igualmente na promoção de oportunidades e na ampliação das condições de ascensão de pessoas negras. Acompanhar esse processo de fortalecimento institucional é, ao mesmo tempo, desafiador e muito revigorante.”
A programação seguiu com a apresentação de Capoeira do Grupo IUNA, fundado em 1975. O mestre Rui convidou os presentes a conhecerem a história viva preservada pelo grupo e sua atuação na valorização da cultura afro-brasileira.
Durante a apresentação, o mestre Rui conduzia o público a imaginar como a capoeira carrega a riqueza ancestral da resistência, cultura e identidade do povo negro no Brasil.
Apresentação do grupo I.U.N.A na formatura do projeto Sementes. Foto: Taynara Roberto
Assista o depoimento completo do Grupo IUNA para conhecer esse legado de mais de 50 anos. [Em breve]
Depois, foi a vez das próprias organizações participantes ocuparem o palco e contarem o que havia mudado em suas trajetórias a partir do Projeto Sementes. Conduzida pela professora Ana Carolina Duarte, a conversa mostrou, na prática, como uma formação pode se transformar em novas iniciativas, projetos e possibilidades de atuação nos territórios.
Entre os relatos, o Casarão Cultural João de Alabá compartilhou como a participação no projeto foi um dos motores para a criação do Cidade Terreiro, uma caminhada pela Pequena África, território onde memória, ancestralidade e resistência permanecem vivas.
Inspirado no pensamento de Muniz Sodré e na herança do babalorixá africano João de Alabá, o Cidade Terreiro propõe uma nova maneira de olhar para a cidade: como um grande terreiro, no qual ruas, esquinas, monumentos e encontros revelam a presença e a contribuição africana na construção do Rio de Janeiro.
A Associação de Danças e Demais Culturas também compartilhou uma transformação importante provocada pelo projeto: o apoio para a retomada do Jongo no Estácio, manifestação cultural que possui uma tradição histórica no território e que havia sido interrompida durante anos.
Antes de o jongo tomar conta do pátio do museu, Bianca, do NEPAN, trouxe outro momento de potência e ancestralidade ao encontro ao declamar o poema Still I Rise, de Maya Angelou. A obra, marcada pela afirmação da resistência, da dignidade e da capacidade de seguir se erguendo diante das adversidades, dialogou diretamente com a trajetória das organizações que estavam ali celebrando suas conquistas.
Ao final das apresentações, os participantes foram convidados pela Associação a jogar jongo no pátio do MUHCAB, cercados por figuras históricas negras e sob uma noite estrelada no Rio de Janeiro.
Apresentação de jongo da ADAQUERJ na formatura do projeto Sementes. Foto: Taynara Roberto
Assista o depoimento completo da Associação de Danças e Demais Culturas e se encante pela beleza do Jongo. [Em breve]
Para encerrar a formatura, cada organização recebeu seu certificado de conclusão — um registro simbólico de todo o caminho percorrido durante a formação.
A noite terminou ainda com a entrega simbólica de um cheque especial, representando a destinação de recursos para que as organizações possam continuar desenvolvendo seus projetos e fortalecendo a cultura popular brasileira.

A formatura do Projeto Sementes celebrou não apenas o fim de uma formação, mas o fortalecimento de um legado quando organizações culturais têm acesso a conhecimento, recursos e ferramentas para transformar sonhos em projetos reais de impacto social.


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