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Julho das Pretas: Mulheres negras são passado, presente e futuro

Instituto GUETTO participa de encontro promovido pelo Coletivo Pretas B reunindo lideranças negras para debater justiça climática, governança, tecnologia, afeto e o bem viver como caminhos para um futuro mais justo


Grupo de mulheres e crianças negras sorrindo ao entardecer, com montanhas e o Cristo ao fundo, em clima festivo. No Parque do Bondinho Pão de Açucar.
Mulheres negras participam do encontro 'O futuro é agora" no Bondinho do Pão de Açúcar (RJ), em comemoração ao Julho das Pretas, criado pelo Coletivo Pretas B que é gerido pela Empresa B Grupo Iter

O futuro que queremos é de mulheres negras no topo!


O Instituto GUETTO participou, na tarde da última quarta-feira (22), do encontro 'O Futuro é Agora: Justiça Climática e Protagonismo Negro', promovido pelo Coletivo Pretas B, criado pelo Sistema B, e realizado no Morro da Urca.


Representando a organização, a diretora executiva Aimê Araujo integrou o painel "Justiça Climática e Inovação Social: Mulheres negras liderando soluções", compartilhando reflexões sobre educação, equidade racial e o protagonismo das mulheres negras na construção de soluções para a crise climática.


A Gerente de Programas Educacionais, Pamela Durães, junto a Coordenadora do projeto EmpowerAFRO, Taynara Roberto, convidaram as alunas empreendedoras do projeto EmpowerAFRO, para participar desse momento unico e cheio de conexões.


Como mulheres negras estão influenciando as discussões sobre justiça climática, inovação, tecnologia e governança? Conheça os principais debates do encontro e veja como o Instituto GUETTO contribuiu para essa construção coletiva.




Encontro celebra Julho das Pretas, protagonismo negro e justiça climática


A primeira roda de debate reuniu Nalva Moura (Grupo Espaço Negro), Marcia Silveira (Fundação 1Bi), Soraia Mathias (AZZAS 2154) e Cecilia Izidoro (UFRJ), com mediação de Agnes Durães, do Grupo Iter.


O painel abordou governança e liderança, discutindo como conectar metas de diversidade às estruturas de poder das organizações, indo além do discurso e promovendo mudanças concretas em conselhos, diretorias e processos de decisão.


Durante a conversa, Nalva Moura, uma das fundadoras do Grupo Espaço Negro, destacou a importância de fortalecer redes entre mulheres negras que atuam na transformação social.

"Estar aqui com vocês é dar voz e vez, cada vez mais, para aquilo em que acredito: as mulheres na linha de frente."

Também integrou o painel Cecilia Izidoro, militante histórica do Movimento Negro Unificado (MNU) e uma das responsáveis pela Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao lado de Denise Góis, Cecilia assumiu a missão de estruturar e fortalecer a gestão das políticas de ações afirmativas, diversidade e acessibilidade da universidade, contribuindo para que essas agendas estejam presentes de forma transversal na administração da instituição.


Sua trajetória evidencia como a luta histórica do movimento negro também se traduz em espaços institucionais de formulação e implementação de políticas públicas, ampliando o acesso, a permanência e os direitos de grupos historicamente excluídos no ensino superior.


O segundo painel, dedicado à justiça climática e inovação social, contou com a participação de Maria Clara Salvador, analista em Educação Climática do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), Monise Alves (WWF) e Aimê Araujo, diretora executiva do Instituto GUETTO, com mediação de Juliette Antunes, do Sistema B Brasil.


Representando o Instituto GUETTO, Aimê Araujo compartilhou reflexões sobre educação, equidade racial e a importância de reconhecer mulheres negras como protagonistas na construção de soluções para enfrentar os impactos da crise climática, reforçando que justiça ambiental e justiça racial caminham de forma indissociável.


"Através da produção de projetos e diagnósticos, tentamos influenciar as políticas publicas para aumentar o alcance de impacto social"

A Inteligência Artificial pode acelerar a crise climática? O debate que colocou o Brasil no centro dessa discussão


Entre as provocações levantadas durante o painel sobre justiça climática e inovação social, uma chamou bastante atenção das participantes: quem pagará a conta ambiental da expansão da Inteligência Artificial?


Embora a IA seja frequentemente apresentada como símbolo de inovação e desenvolvimento, sua infraestrutura depende de uma enorme capacidade de processamento, armazenamento de dados e sistemas de refrigeração. Isso significa um consumo crescente de energia elétrica e de água para manter em funcionamento os milhares de servidores instalados em grandes data centers ao redor do mundo.


Nesse cenário, o Brasil atraiu o foco de empresas de tecnologia devido à sua ampla capacidade de geração de energia, especialmente por meio de usinas hidrelétricas. A crescente demanda por infraestrutura para Inteligência Artificial tem levado especialistas a apontar que o país poderá receber novos investimentos em data centers e ampliar sua produção energética para atender esse mercado.


No entanto, durante o encontro, o debate trouxe uma pergunta que nem sempre acompanha esse entusiasmo: quais serão os impactos ambientais e sociais dessa expansão?


A construção de novas hidrelétricas, linhas de transmissão e grandes empreendimentos de infraestrutura pode provocar alterações em ecossistemas, mudanças no curso dos rios, perda de biodiversidade e deslocamento de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Além disso, mesmo sendo considerada uma fonte renovável, a energia hidrelétrica também produz impactos ambientais significativos e intensifica disputas pelo uso da água em um contexto de agravamento das mudanças climáticas.


As participantes defenderam que a transição tecnológica não pode reproduzir as mesmas desigualdades históricas que marcaram outros ciclos de desenvolvimento. Se o Brasil se tornar um dos principais polos para abastecer a expansão global da Inteligência Artificial, é fundamental que esse crescimento seja acompanhado por mecanismos de participação social, proteção ambiental e garantia de direitos para as populações mais afetadas.


Para as mulheres negras presentes no encontro, pensar o futuro também significa garantir que inovação, sustentabilidade e equidade caminhem juntas, evitando que a busca por soluções tecnológicas aprofunde desigualdades já existentes.


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Bem viver: quando ocupar espaços também é um ato político


Além das discussões políticas e estratégicas, o encontro também foi marcado por momentos de descontração, afeto e troca de histórias entre mulheres negras.


As conversas informais, os reencontros e as novas conexões reforçaram a proposta do Coletivo Pretas B de fortalecer redes de apoio e colaboração entre mulheres que atuam na promoção da equidade racial, da justiça climática e da transformação dos modelos de governança.


Ao final da programação, as participantes seguiram juntas para o passeio de bondinho até o Pão de Açúcar. Para muitas delas, aquela foi a primeira vez acessando o bondinho ou visitando o local. Chegar ao topo, admirar a vista do Rio de Janeiro e continuar conversando em um ambiente de acolhimento transformou o encerramento do encontro em uma experiência de bem viver.


Esse momento representou a possibilidade de ocupar espaços historicamente negados, compartilhar experiências e construir memória coletiva. Em um encontro que falou sobre futuro, justiça climática e protagonismo negro, também houve espaço para celebrar a presença, o afeto, a escuta e a potência das mulheres negras.



Cartaz vermelho do Instituto Guetto com duas mulheres negras se abraçando; texto O FUTURO DE MULHERES NEGRAS e APOIE AGORA.

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